O TEU TRABALHO NÃO É VÃO


Num campo tão grande,
Onde muitos ceifeiros trabalhavam,
Havia uma mulher que passava despercebida.
Vergada e com suas mãos calejadas,
Inclinou-se ainda mais e caiu de joelhos.
As espigas que estavam nas suas mãos tombaram e espalharam-se pelo chão.
Lágrimas corriam, aquentando o rosto gélido da ceifeira.
Ela cerrou os olhos ainda com mais força
E mais lágrimas quentes e pesadas caíram do seu coração.
Seus lábios tremiam de dor sem que palavra alguma proferissem.
Apenas ouviam-se soluços entre aquelas espigas que estavam por colher.
Ninguém sabia onde estava a pequena ceifeira,
No entanto chegou o Senhor da seara e deu pela sua falta.
Dirigiu-se ao lugar onde ela costumava labutar,
E de imediato conheceu o que ía no seu coração.
Então num gesto de profundo amor e intima compaixão,
Levantou-a e aconchegou-a a si.
Pegou nas suas mãos e nelas colocou as espigas caídas.
Olhou-a de uma forma tenra mas penetrante e disse-lhe:
Filha minha, minha serva, o teu trabalho não é vão.
Continua, persiste, pois espera-te um galardão.

Isabel Pereira
26/05/04

DEDICADO A ISABEL ROMÃO

Amiga que palavras poderei usar?!
Ao passares por esse vale de morte e sombrio,
Posso contemplar a tua coragem e valor.
É verdade, com um rosto sofrido,
Um coração provado,
Um corpo cansado,
Mas uma mulher levantada e cheia de fé.
Sim, está a terminar um temporal,
Mas está a despontar o mais lindo sol na tua vida.
Ele se faz acompanhar por uma brisa cheia de promessas,
De coisas que agora não sabes, nem entendes...
Mas logo, logo vais prová-las e vive-las.
Sim, foi um tempo deveras escuro,
Um vale que te foi necessário passar,
E agora estás a sair dele a brilhar.
Ó Amiga, como gostava agora de te abraçar!
E na oração do momento
Peço ao nosso Amigo que te faça sentir este carinho.
Podes ainda olhar a esse Inverno e pensares que um tesouro perdeste,
Mas se limpares as lágrimas dos teus olhos,
Contemplarás, sim, o que na verdade ganhaste!
Ó Amiga, tanto que gostava de escrever,
Mas deixa lá ainda declarar,
Que tu és muito especial.
Sim, foste deveras «espremida»,
E o fruto dessa provação
São as tuas lágrimas que servirão de consolo,
As tuas feridas que servirão de bálsamo e cura,
O teu cansaço fisico que servirá de força e ânimo,
As tuas perguntas que servirão de resposta,
A tua dedicação e amor,
Serenidade e constante oração,
Serão marcas fortes na minha vida.
A ti, Isabel Romão, dedico este simples pensamento,
Com muitas saudades e como eu já te disse
Com uma vontade imensa de poder estar aí contigo e te abraçar.
Mas o meu consolo, é que eu sei que o nosso Amigo Espirito Santo,
Mais do que eu, ou qualquer outro,
Ele continua a de ti cuidar.

Com amor

Da tua amiga
Isabel Pereira



VIVE PARA O QUE FOSTE CHAMADA


Querida amiga, quando lemos Efésios, o apóstolo Paulo lembra-nos que fomos separadas para Deus para vivermos para Ele, por Cristo e em Cristo. Mas como viver? Fomos chamadas para quê? O evangelho de S. João relata-nos a vida de uma familia cristã que nos apresentam 3 pontos fundamentais que não devemos descurar de maneira alguma na nossa vida pessoal, na nossa familia, bem como na igreja do Senhor Jesus.

Certamente que todas nós conhecemos a familia de 3 irmãos: Lázaro, Marta e Maria. Estes eram amigos de Jesus e a certa altura Lázaro fora ressuscitado pelo poder de Deus. No entanto, no capítulo 12 de João, vimos que Jesus regressa a casa desta familia hospitaleira. Nesse momento, já havia saído a ordem de prenderem a Jesus para o matarem. Será que Jesus foi a casa desta familia amiga para se esconder? Possivelmente, mas sinceramente eu creio que essa não é a razão fundamental. Jesus, sabia que a sua hora estava a chegar, mas ainda não tinha chegado. Certamente o coração de Jesus já sentia dor, ângustia e aquilo que eu vejo, é Jesus aproveitar os seus últimos dias da melhor maneira: passá-los junto dos seus amigos. Vejo esta familia como um aconchego e consolo para o coração de Jesus. E na verdade, quando estamos tristes e desalentados aquilo que desejamos é estar no aconchego de quem nos ama de verdade, e é isto que eu consigo perceber nesta ída de Jesus à casa dos 3 irmãos. E a questão que se levanta é se Jesus teria o mesmo prazer em procurar a nossa presença, a nossa casa ou a nossa igreja?!

Neste mesmo capítulo e no verso 2, a Bíblia diz que «Marta servia», e sem duvida Marta aponta para o serviço voluntário com amor, alegria e gratidão de coração. Sim, querida amiga, nós fomos chamadas para servir a Cristo e seguidamente ao próximo. Pois Marta servia naquela festa não só a Jesus mas também a todos os que estavam com Ele. Marta é o exemplo do amor colocado em prática, da gratidão não silenciosa mas que se expressa em serviço voluntário. E foi isto mesmo que David ensinou a Salomão «E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária...» I Cr 28.9

Ainda no mesmo versículo diz que «Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele (Jesus)», e sem duvida que Lázaro aponta-nos para a necessária e a sã comunhão com Deus. Ó querida amiga, eu creio que havia alegria em Lázaro em estar sentado a privar da poderosa e doce presença de Jesus. Sim, nós fomos chamadas a viver em comunhão com Deus diariamente. Sem comunhão com Ele como podemos conhece-Lo, resistir aos tempos dificeis, e viver ardentemente o cristianismo? Agora somos filhas em Cristo, e que filha amada não gosta de passar tempo com o seu Pai? A qualidade da nossa vida cristã depende da comunhão que temos com Ele. Jesus disse aos seus discipulos «Estai em mim, e eu, em vós...» Jo 15.4ª, e esta é a chave para uma vida cristã que faz todo o sentido.

Por fim, no verso 3, diz que «encheu-se a casa do cheiro do unguento». O que aconteceu? Será que derrubaram algum frasco de perfume? Não. Era Maria que prostrada limpava com os seus cabelos os pés de Jesus, depois de ter derramado sobre Ele um perfume de muito valor. E Maria aponta-nos para a adoração que agrada a Deus. Maria ensina-nos que não é ocasionalmente, mas que a nossa postura de vida deverá ser de verdadeiras adoradoras. Uma vida que exalta a Cristo, rendida e sujeita a Ele. Maria ainda nos aponta para o entendimento e sensibilidade espiritual. Ela não perdeu tempo, nem tão pouco a ocasião e fez algo que muitos criticaram, porque não tinham entendimento nem a sensibilidade espiritual que como adoradora ela possuia, mas Jesus disse àcerca dela «Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto. Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes» v. 7,8.

Sabem, o que mais me impressiona é que a casa se encheu daquele perfume. Superou todos os outros perfumes que certamente poderiam estar a usar, ou o cheiro da comida! Sim, a verdadeira adoração é de grande valor e toca o coração de Deus, e inquestionavelmente a vida de uma verdadeira adoradora não passa despercebida a ninguém. Olhando, então para este quadro biblico, a festa estava completa. O gesto de Maria foi como aquele toque final que o pintor dá, mas que torna o quadro, único, completo e perfeito.

Enfim, querida leitora, avalia a tua vida e vê como tens servido a Cristo e ao teu próximo? Como está a tua comunhão com Deus? O teu tempo é de qualidade? A tua alegria em estar com Ele é tanta que não permites que nada roube esse «sentar à mesa com Ele»? E que tipo de adoradora tens sido? Estás aos seus pés? Que tipo de adoração tens lhe oferecido?

Que o Senhor possa buscar e encontrar em nós mesmas, na nossa familia e na sua Igreja, corações que O servem com amor, que têm prazer em viver na sua presença, bem como em adorá-Lo com entendimento.

Deus te abençoe e VIVE PARA O QUE FOSTE CHAMADA.


Isabel Pereira


Filme Jesus

Share

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites